23 novembro 2010

Derrocada na 5 Outubro é fruto de cidade degradada

As obras de demolição e construção do prédio com os números 279 e 281, na Av. 5 de Outubro, em Lisboa, estão na origem dos problemas do prédio que está em risco de derrocada. Esta situação revela a falta de estratégia municipal assente no primado da oferta pública de habitação como uma perspectiva social sobre a aposta numa orientação especulativa no mercado imobiliário por vias das empresas municipais ou através dos tais fundos imobiliários muito falados ultimamente.

O Bloco de Esquerda denuncia o estado de degradação em que se encontra a cidade e propõe um plano de reabilitação urbana como resposta política a esta situação


COMUNICADO DE IMPRENSA
Derrocada na Avenida 05 de Outubro: É urgente, uma política de reabilitação urbana

As notícias, hoje, vindas a público na comunicação social sobre mais uma derrocada de um prédio na Avenida. 5 de Outubro, em Lisboa é mais um sinal do estado de degradação do património edificado da cidade e da urgência de uma política de reabilitação para combater a degradação do edificado, atrair pessoas em Lisboa e dinamizar a economia. Enquanto a cidade está a cair aos pedaços, o Executivo de António Costa desdobra-se em marketing e propaganda política sobre um provável investimento na reabilitação urbana através de um fundo imobiliário que mais não é senão uma via verde para a especulação imobiliária.

A notícia de hoje, revela por um lado, a falta de estratégia municipal assente no primado da oferta pública de habitação como uma perspectiva social sobre a aposta numa orientação especulativa no mercado imobiliário por vias das empresas municipais ou através dos tais fundos imobiliários muito falados ultimamente.

A situação de degradação do parque edificado em Lisboa é bastante grave como o demonstram as sucessivas derrocadas e a existência de milhares de edifícios abandonados e acresce a isto a situação de asfixia financeira em que se encontra o município que não lhe permite uma intervenção consequente nesta matéria sem a intervenção do Estado. È por isso que enquanto a cidade estar a ruir, não podemos estar a espera de soluções avulsas e mitigadas e muito menos alienar para o sector privado a capacidade do município em desenvolver uma politica de reabilitação como ressalta claramente nas intenções propagandeadas pelo executivo de Antonio Costa.

Face a gravidade da situação de degradação do parque edificado na maior parte das nossas cidades, do nível de endividamento e de estrangulamento financeiro em que se encontram a maior parte das câmaras municipais e particularmente, a Câmara Municipal de Lisboa, o Bloco de Esquerda tem defendido desde sempre e continua a defender a necessidade e a urgência da criação de um Programa de Apoio à Reabilitação Urbana e a Bolsa de Habitação para Arrendamento, com financiamento do Estado.

O volume do investimento e o estado gravoso de degradação implicam uma resposta politica forte que tem de vir do Orçamento do Estado. Essa é uma das razões porque é fundamental um programa de investimento público que dê uma nova dinâmica ao sector da reabilitação orientando-o para uma prioridade indiscutível: re-habitar a cidade. Lisboa não pode continuar a reboque da especulação.


Os Deputados Municipais do Bloco de Esquerda