21 fevereiro 2010

Câmara de Lisboa culpa obras de lojistas pelos problemas no Carmo

"As maiores infiltrações nas lojas da Rua do Carmo devem-se a obras que os lojistas foram fazendo nos últimos anos e que danificaram o sistema de drenagem dos edifícios, revelou o vereador Nunes da Silva." Leia aqui, para sua informação, esta notícia da Lusa que dá conta das desavenças entre os lojistas da Rua do Carmo e a Câmara de Lisboa.


Câmara de Lisboa culpa obras de lojistas pelos problemas no Carmo

As maiores infiltrações nas lojas da Rua do Carmo devem-se a obras que os lojistas foram fazendo nos últimos anos e que danificaram o sistema de drenagem dos edifícios, revelou o vereador Nunes da Silva.

O vereador do sector das Infraestruturas e Obras Municipais, Nunes da Silva, afirma que as conclusões do relatório que a autarquia está a terminar apontam precisamente para esta situação, lembrando que as obras de demolição nos terraços do Carmo "puseram a nu" problemas que já existiam.

"Quando se fizeram as montras e as lojas alteraram-se, e nalguns casos danificaram-se de forma irremediável, os tubos de queda de canalização das águas pluviais, o que fez com que a água que se avolumava nos terraços do Carmo passa agora para as montras das lojas", explicou Nunes da Silva.

As infiltrações e fissuras afectam sobretudo seis lojas da rua do Carmo e, segundo Nunes da Silva, nesta rua a autarquia apenas é proprietária de um estabelecimento, sendo os restantes propriedade da Direcção-Geral do Tesouro. "Os tubos de queda que antes passavam pela fachada foram cortados e desviados para dentro das paredes e, nalguns casos, sem ter em conta os caudais que deveriam drenar", explicou o autarca, acrescentando: "Com a demolição dos edifícios [nos terraços do Carmo] o que chovia nos telhados deixou de ser canalizado para outros lados."

Nunes da Silva lembrou ainda que, nalguns casos, as lojas atingiram tal profundidade que ultrapassaram o limite da muralha e "estão por baixo das ruínas do Convento". "Na zona entre o que era o edifico antigo e os novos prolongamentos, o material é diferente, a carga nas abóbadas é diferente e, nessa zona de junção, há fissuras que resultam da diferença do material, de pequenos tremores de terra e eventualmente de pequenas cedências dos terrenos", disse.

"Não é por acaso que um dos lojistas menos afetados foi o que fez uma segunda abóbada e entre as duas deixou uma caleira e uma condução de água. Não teve grandes problemas, mas chegou a tirar 20 litros de água por dia quando choveu muito", acrescentou.

"É preciso sublinhar que a maior parte das infiltrações não tem nada a ver com as obras que a Câmara de Lisboa está a fazer", afirmou, realçando que a autarquia "não sabia" das alterações ao sistema de drenagem. Nunes da Silva sustentou ainda que, tendo em conta a situação actual, a autarquia vai ter que suportar custos acrescidos em todo o projecto porque vai ter que "reconstruir o sistema de drenagem dos terraços do Carmo".

Para o vereador, "o importante agora é resolver o problema". "Se o tempo se mantiver sem chuva, pelo menos a drenagem da fachada e a impermeabilização dos terraços ficará resolvida", estimou. "Alguém, que não será a autarquia, terá que intervir depois no próprio Convento do Carmo se quiser resolver completamente o problema".


Lusa, 19/02/10