Rumo ao Terreiro do Paço onde nos encontramos para dizer não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento enchemos as avenidas em protesto.
Pelas avenidas marcham jovens desempregados e desempregadas que juntos são chamados a geração mais qualificada de sempre mas que enfrentam vidas precárias sujeitos aos insultos de um governo que os quer expulsar para uma imigração forçada e insegura.
Pelas avenidas marcham homens e mulheres discriminados por uma sociedade iludida pelo discurso mentiroso do empreendedorismo como solução para o desemprego cujo verdadeiro significado é a desculpabilização dos governantes pelas suas políticas de miséria.
Pelas avenidas marcham homens e mulheres sem emprego vítimas da humilhação de apresentações quinzenais nos centros de emprego ou juntas de freguesia como se fossem criminosos sujeitos a termo de identidade e residência.
Pelas avenidas marcham trabalhadores de sectores em reestruturação e empresas fechadas que sobrevivem com prestações sociais miseráveis apesar de anos de descontos para a segurança social.
Pelas avenidas marcham homens e mulheres invisíveis, mão de obra não declarada, que sobrevivem sem recursos nem protecção vítimas da exploração sem escrúpulos.
Pelas avenidas marchamos sem emprego, isolados e vítimas do estigma social e das políticas de austeridade. Somos usados como ameaça aos trabalhadores pelos patrões e pelos governantes que nos apelidam de exército de reserva, peças prontas a substituir outras peças que provoquem atrito nos sistemas. Mas a marcha transforma-nos, rejeitamos ser vítimas, quebramos o isolamento, perdemos a vergonha.
No Terreiro do Paço lado a lado com os movimentos de precários e os trabalhadores fazemos parte de um exército de resistência. Ganhamos novas energias para lutar e descobrimos na acção colectiva uma força que quebra os estigmas e o isolamento do desemprego. Somos desemprecários e vamos lutar pelos nossos direitos e pela transformação da sociedade. Vamos usar a nossa formação, a nossa criatividade e a nossa capacidade de trabalho para melhorar Portugal e juntos vamos ensaiar novas formas de luta contra o desemprego. Hoje marchámos nestas avenidas e voltaremos a juntar-nos em plenário de desempregados no dia 1 de Março de 2012 em busca de uma resposta colectiva à nossa condição social.
Ana Isabel Cansado
Activista pelos Direitos dos Desempregados
