Bloco de Esquerda apoia luta do Palco Oriental
Em consequência da decisão do Supremo Tribunal de Justiça respeitante à atribuição do espaço dinamizado pela Associação Cultural Palco Oriental à Igreja de S. Bartolomeu do Beato, contrariando assim a decisão do Tribunal de 1ª Instância, a Associação corre o risco de ser despejada.
No entanto, é de conhecimento público que esta associação tem desenvolvido um projecto cultural e artístico fundamental na dinamização da vida cultural na zona oriental de Lisboa, tendo acolhido centenas de artistas, das mais variadas formas de expressão.
Aliás é de sublinhar que este projecto cultural foi construído ao longo de duas décadas, implicando um grande investimento humano e material de requalificação do espaço, cujo valor humano, cultural e social ultrapassa qualquer quantificação material e que este investimento representou o aproveitamento de um espaço que foi abandonado pela entidade que o ocupava, sem que ninguém o reivindicasse durante décadas.
Infelizmente, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça, legitima de facto a eminência do despejo da Associação Cultural, impossibilitando assim a continuidade deste projecto cultural e privando artistas e população do usufruto deste espaço cultural situado na zona oriental de Lisboa, onde a carência de equipamentos e espaços culturais é particularmente significativa.
Face isto, o Bloco de Esquerda tem vindo desde há um par de anos a esta parte à propor a CML que se envolva na procura de uma solução alternativa que garanta, acima de tudo e de qualquer outro interesse fundiário, a manutenção e continuidade deste projecto.
Para o efeito, sob proposta do Bloco de Esquerda e de outras forças políticas representadas na AML, já foram aprovadas várias deliberações que instam a Câmara Municipal de Lisboa de desenvolver diligências no processo procurando, junto de todas as entidades envolvidas, uma solução que permita a continuidade do projecto cultural e artístico da Associação Cultural Palco Oriental, mas também que, no caso de não ser conseguido o entendimento entre as duas entidades, seja cedido a esta Associação Cultural um outro espaço, na mesma zona geográfica e com condições idênticas, necessárias à continuidade do projecto artístico e cultural desta associação.
Lamentavelmente e apesar de todas as deliberações votadas na AML, além da mobilização da sociedade civil em defesa da continuidade do Palco Oriental, o actual e os anteriores executivos camarários pouco ou nada fizeram para resolver esta situação.
O Bloco de Esquerda defende que a autarquia deverá inverter esta atitude de passividade na defesa da promoção e divulgação cultural, envolvendo-se junto das entidades interessadas na procura de uma solução definitiva desta situação que se arrasta há tempo de mais. Porque é da responsabilidade política do Executivo camarário garantir todo o desenvolvimento, a promoção e a continuidade de todos os projectos culturais da cidade e o Palco Oriental enquadra-se nesta situação.
A Concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda